Recém terminada a turnê de música sacra, o Polyphonia Khoros já está na estrada novamente para a apresentação da ópera A Flauta Mágica de Mozart. Com escala em Florianópolis, Pomerode, Tijucas e Laguna, ontem foi a vez de Pomerode, e o palco foi o recém inaugurado Teatro Municipal de Pomerode. Gostaria de abrir um parênteses para comentar sobre esse novo espaço, um teatro digno de cidade grande, a ponto de fazermos nos envergonhar de dizermos que temos um teatro em Joinville! Espaçoso, confortável, boa acústica e bonito! Vai virar ponto túristico da cidade!
Sobre a ópera, um tipo de apresentação artística difícil de se encontrar no estado, e difícil de ser executada, trata-se de um espetáculo completo que envolve diversas áreas artísticas. Na parte músical, tudo muito bem, a qualidade do coro já conhecemos, e ainda enriquecida com solistas convidados (entre eles o joinvilense Douglas Hahn), não há o que questionar. Na parte de intepretação, ponto para a superação cênica dos coralistas, destaque para o Papageno interpretado pelo Douglas, um papel divertido e muito dinâmico que foi muito bem executado (não conhecia esse lado do Doiuglas!). Outros aspectos, como iluminação, deixaram a desejar, ela podia ser muito mais explorada para tornar a execução mais rica e emocionante.
Mas valeu muito! A viagem até Pomerode foi recompensadora, e muitos outros também vieram de outras cidades pra apreciar. Quando eu disse para as pessoas: “vou pra Pomerode assistir à uma ópera no feriadão”, muitos riram! Eu também ri e me diverti muito! E espero outras!!
Abaixo um pequeno trecho do primeiro ato onde Tamino e Papageno são presenteados com os instrumentos mágicos das três damas comandadas pela Rainha da Noite.

Ontem, nos meus momentos de altismo (como dizem alguns), dei uma fugida solitária para o galpão da AJOTE, onde ia ser encenada pela Faunos Cia. Teatral a peça Smoked Love. Já faz um tempo que eu estava querendo ver a Faunos, que tem como uma das atrizes Daiane Dordete, que conheci num desses cursos sobre elaboração de projetos culturais da vida.
Minha experiência no mundo teatral não é muito expressiva, ainda estou começando o desbravamento desse ramo da cultura que me atrai muito. E pegar uma peça assim, mais contemporânea, não é das tarefas mais fáceis pra um aprendiz. Smoked Love é uma experiência de amor, de poesia, dos sentidos que emergem de olhares para si e para os outros nas relações amorosas contemporâneas. Trata-se de um solo de Daiane Dordete com diversas estratégias de contracena como projeções visuais, video-conferência, integração com o público e música ao vivo, compartilhando com o público as pesquisas da Faunos em teatro contemporâneo.
Por ser músico, achei o máximo o elemento musical ao vivo com a participação de integrantes das bandas Fairans e Radar 13. Além de executar a trilha, eles tinham papel importante interpretativo.
A minha opinião… É impressionante como os sentimentos trazidos a tona pela atuação cênica te fazem refletir sobre esse enigmático ser humano. E esse mistério não vem de hoje, esses conflitos mentais e dificuldades para entendermos os próprios sentimentos são algo intrínceco do homem. Se tudo fosse simples, se as pessoas se apaixonassem reciprocamente umas pelas outras e se essa paixão não fosse abalada por nenhum evento externo ou simplesmente por uma dúvida na nossa cabeça, tudo seria muito chato, não é?
“Ame a si mesmo como jamais alguém lhe ame”…. um pensamento egoísta que infelizmente o mundo contemporâneo nos prega. Eu sou mais aquela outra frase já meio antiga: “Ame ao próximo como você ama a si mesmo”. E não deixe de amar!